É engraçado como certas coisas acontecem ao mesmo tempo para nos fazer refletir.
Num dia eu li o texto "Eu já tive um relógio digital", escrito por Janaína Pereira, minha colega de classe na faculdade. Ela faz uma viagem no tempo ao recordar das tendências dos anos 80.
Eu nasci em 86, mas recebi as últimas gotas dessa época, que me possibilitaram fazer a minha viagem no tempo nas palavras da Janaína...
No dia seguinte, meu irmão vem conversar comigo sobre a nossa infância.
Uma outra viagem ao tempo, desta vez acompanhada - muito bem acompanhada, diga-se de passagem e não só por que é meu irmão, mas por que ele contribuiu muito para algumas lembranças perdidas.
Ele é apenas 1 ano e 4 meses mais velho, mas lembra de mais detalhes do que eu da época em que tinhamos nosso 4 ou 6 anos. Ele me cedeu algumas peças do quebra-cabeça que faltavam para montar com maior nitidez a paisagem do nosso passado. Lembramos de brigas, brincadeiras, brinquedos, acidentes.
Meu irmão resgatou um baú. Um baú onde ficava todas as nossas tralhas. Tralhas que esparramavamos pelo chão do quarto, da sala, da cozinha, da casa toda. Abri esse baú em minha mente e dele saltaram inúmeras memórias e histórias.
Foi como abrir uma porta trancada.
Nostalgia pura.
E hoje, enquanto escrevia esse texto na aula de Jornalismo comparado, o professor relembra programas dos anos 80. Mais um fato que me remete ao passado. E eu me perco novamente naquela época em que, no horário de verão, ás 19h, ainda claro, sentava no terraço de casa para tomar sorvete sentada na janela, ao lado do Bettinho e ás vezes do nossos pais.
Ou quando, nas noites de natal e ano novo, subíamos no tanque de lavar roupa para espiar os fogos de artifícios desenhando figuras no céu noturno.
Vejo-me novamente sentada diante da televisão, assistindo aos nosso programas preferidos: Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion, Changerman. Anos incríveis - sim, afinal, eu FUI a Winnie Cooper um dia - Um amor de família, Doug, Castelo Ratimbum, entre outros.
Guerra de meias no escuro, montar cabana no próprio quarto, jogo "Explosão", Barbies e Comandos em Ação, corre cotia, amarelinha, bolinhas de gude. Passamos por tudo isso, mas trocamos tudo pelos video-games. Master System, Super Nes, Playstation, Nintendo 64, que foram substituídos pelo computador...Somos a geração que cresceu diante da tela dos eletrônicos. Mas também fomos crianças que brincavam na rua, andavam de bicicleta, patins.
No fim das contas, essa mistura me proporcionou a elasticidade para me adaptar ao novo - internet, e-mail, MSN - sem desprezar ovelho - carta, telefone.
Tenho 20 anos, ás vezes acho pouco, mas relembrar de tudo isso me mostrou que já tive muitas experiências. Lembrei de tudo com muita saudades, mas tenho consciência de que essa parte da minha história já se foi, mas que outras coisas ainda virão. Vivemos eternamente construindo nossa história. Cada dia vivemos uma coisa novas, aprendemos algo diferente.
Agradeço muito ás pessoas que fizeram, fazem e farão parte da minha história. Com um pedacinho aqui e ali, vocês me ajudam a me construir um pouquinho todos os dias.
Domo Arigatou Gozaimasu!!
(Muito Obrigada)




